45 mil crianças brasileiras sobrevivem do que tiram dos lixões
Não há dados oficiais sobre a população que sobrevive do lixo. Por isso, no lançamento da campanha Criança no Lixo, Nunca Mais!, o Unicef deu um trabalhão a carteiros de todo o país. No ano passado, a entidade enviou uma cartinha aos 5,5 mil municípios brasileiros. Apenas 1.642 responderam.
Do cruzamento das respostas dos prefeitos com uma pesquisa encomendada pelo Unicef, nasceu o número espantoso: 45 mil crianças vivem e brincam em lixões e deles tiram seu sustento! Dentre os municípios que responderam à cartinha, 11 deles já começaram a fazer o dever de casa.
Com o acompanhamento do Unicef, 2 mil crianças fizeram as pazes com a escola. Destaque deve ser dado ao projeto que beneficia 510 crianças, em Natal (RN), e à mobilização das 2,3 mil famílias que moram às margens do igarapé do Bodozal, em Manaus (AM), que cobram da prefeitura a coleta regular do lixo.
Em média, as famílias de crianças que trabalham no lixo têm renda mensal de até dois salários mínimos. É por isso que o salário entre R$ 1 e R$ 6 por dia de seus filhos é tão crucial. É o que ganham por fardos e mais fardos repletos de latinhas, vidros e todo tipo de papelada.
De acordo com o Unicef, em alguns lixões mais de 30% das crianças em idade escolar nunca foram à escola. Além do aperto para garantir a sobrevivência, outro motivo as afasta das aulas: o preconceito por serem "crianças do lixo".
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